sexta-feira, 28 de março de 2008

SOZINHO


Não há diferença entre dia e noite quando se vive no vazio da solidão. Extrema e inquietante, faz suar a alma, congelar o coração. Olhares inquietantes que não param de crescer e rostos nem sempre agradáveis que gostam de apontar. O que há na vida de errado? Renato, Ana, Adriana, Cazuza... Seguir suas letras facilita e ao mesmo tempo revelam. Querer e não querer. A vida é assim: um paradoxo interminável de pessoas. Essas que encantam e conquistam, mas num rápido piscar de olhos somem, queimam.

E as cinzas marcam a pele como tatuagem. Tatuagens vivas de pessoas sumidas. Ser apenas real. Completar-se com ares limpos. Escutar o eco no quente alto de um morro. Sentar e escutar a chuva cair e vento soprar na praia. Ver o sol nascer. Vê-lo morrer. Tentar completar o vazio com algo incompletável.

terça-feira, 25 de março de 2008

INSPIRAÇÃO


As inspirações passam com o decorrer das estações, com o decorrer da mudança de temperatura dentro do nosso peito. Não que todos queiram sentir esse frio interior, mas o corpo nem sempre responde aos comandos da mente, às vezes o corpo sente o que a alma nunca poderá imaginar sentir um dia. São dois mundos lutando um contra o outro, os dois querendo se salvar, os dois lutando para salvarem-se.

Elas chegam, partem, e a única coisa que resta dentro de um peito dilacerado como esse é um vazio imensurável. As músicas são as principais companheiras, os lugares são os parceiros e o cheiro é a perdição de tudo. Tudo nos faz recordar. Tudo.

Aceitar tudo é somente um fato, é apenas uma condição que temos que impor a nós mesmos. Não que não queiramos mais nenhum amor desesperador, mas sim um tempo para que possamos reconstruir um abalo quase sísmico que ocorreu dentro de nós.