segunda-feira, 29 de março de 2010

O SER HABITÁVEL


A busca da minha existência é algo que vai ser difícil de encontrar: um olhar, um toque, um gemido, qualquer situação que me remeta a você. A noite vazia de um outono é cúmplice de um desejo sem desejo, de uma boca sem beijar, de uma cama sem dormir. Volto em um passado longíquo em que éramos a carne da unha e os fios entrelaçados. Por mais que procure, nunca acho. Saio para os bares, esquinas, prisões e móteis na esperança de impossivelmente te encontrar. Tento controlar o animal faminto por carne fresca que teima ser meu irmão gêmeo. Nem a lua está presente nesse momento. O vento sopra contra mim, tentando, talvez, trazer de outros ângulos e lugares o perfume que aguça meus instintos mais perigosos de um homem feroz. A velocidade dos fatos me entorpece. Começo a perder os sentidos... Ou a sentí-los? Acordo transpirando, com a garganta seca... Mas o que aconteceu? Pareceu ser tão real...

segunda-feira, 22 de março de 2010

INIBIÇÃO


Há um momento da nossa vida em que precisamos escolher se devemos continuar ou desistir. Mas como podemos desistir no meio de uma batalha que sabemos que devemos continuar? A subjetividade alheia nos persegue, e é a ela que tento não entregar o melhor de mim, tento disfaçar, mas não consigo, tento ser menos eu e descubro que é impossível. Os rumos nos levam a humores desesperados, inusitados e inesperados. O suor do teu corpo borra o meu como caneta estourada, água derramada, beijo molhado, que suja os sentimentos, a razão irracional, o que eu tento destruir. A lembraça dos teus lábios cantando um bolero qualquer me faz viajar como a fumaça do cigarro que compartilhamos depois de estarmos bêbados e suados. Na verdade nem a sua voz eu ouço, apenas imagino tua boca, o beijar, o desespero de um pelo outro, das leves mordidas fortes que me acariciam deixando marcas. Se fosse descrever você, acredito que não passaria de cinco letras, pois um lindo poema nunca tem fim.

sábado, 13 de março de 2010

O ESTRANHO DE NÓS


Somos as metades opostas
De um mundo que não se esforça
Para ver atentamente
Compreender profundamente

Somos o branco e o preto
A riqueza e a pobreza
O desconhecido e o metódico
Somos, apenas, eu e você

A parte minha que te ama
É a que dentro de mim não gosto
Os gostos da sensação do teu gostar
Me fazem, meio que em transe, ficar

Dois mundos, duas realidades, um só sentimento
O paradoxo que nos aproxima e distancia
A barreira invisível que não nos separa
O amor que mais uma vez, não se cala

Somos apenas, a segunda pessoa do plural
Firmes, não tão fortes
Indo em busco do seu
Do meu, do nosso ideal.