segunda-feira, 29 de março de 2010

O SER HABITÁVEL


A busca da minha existência é algo que vai ser difícil de encontrar: um olhar, um toque, um gemido, qualquer situação que me remeta a você. A noite vazia de um outono é cúmplice de um desejo sem desejo, de uma boca sem beijar, de uma cama sem dormir. Volto em um passado longíquo em que éramos a carne da unha e os fios entrelaçados. Por mais que procure, nunca acho. Saio para os bares, esquinas, prisões e móteis na esperança de impossivelmente te encontrar. Tento controlar o animal faminto por carne fresca que teima ser meu irmão gêmeo. Nem a lua está presente nesse momento. O vento sopra contra mim, tentando, talvez, trazer de outros ângulos e lugares o perfume que aguça meus instintos mais perigosos de um homem feroz. A velocidade dos fatos me entorpece. Começo a perder os sentidos... Ou a sentí-los? Acordo transpirando, com a garganta seca... Mas o que aconteceu? Pareceu ser tão real...

1 comentário:

Herta disse...

"A velocidade dos fatos me entorpece."

Super verdade, a vida passa pelos nossos olhos e a gente nem nota.